Brasileiros querem pagar com WhatsApp

Isso representa aproximadamente 50 milhões de pessoas, cruzando com dados do IBGE e da pesquisa TIC Domicílios e considerando apenas aqueles com 16 anos ou mais de idade. A descoberta faz parte da nova edição da pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box sobre mensageria móvel no Brasil, divulgada nesta quinta-feira, 30. Foram entrevistados em julho 1.984 brasileiros que acessam a Internet e possuem telefone celular. A pesquisa tem validade estatística, com grau de confiança de 95% e margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

Dentro do grupo que deseja a nova funcionalidade, 44% gostariam que o serviço de pagamento via WhatsApp fosse feito a partir de uma conta bancária virtual criada dentro do próprio app de mensageria. 37% optariam por associar ao WhatsApp sua conta bancária atual. E 19% achariam melhor associar seu cartão de crédito ao aplicativo.

Embora a pesquisa não tenha apurado quanto os brasileiros estariam dispostos a pagar por esse serviço, nem qual seria o modelo de negócios mais aderente, os resultados indicam um interesse bastante grande e uma oportunidade para o WhatsApp de não apenas se conectar aos bancos mas de oferecer um serviço próprio de conta virtual. O potencial é enorme.

Para refletir sobre a questão, vale olhar para o que aconteceu no Oriente, onde os aplicativos de mensageria viraram “super-apps”, dentro dos quais se consegue fazer quase tudo, desde pedir um táxi até encomendar uma pizza, assim como realizar pagamentos e transferências de valores. O exemplo mais notório é do chinês WeChat, que utiliza um sistema de QR codes para a identificação dos usuários e através do qual são feitos os pagamentos.

No Brasil, o app de mensagens dominante é o WhatsApp, conforme comprovado por esta mesma pesquisa. 97% dos internautas brasileiros com smartphone possuem o WhatsApp instalado e 98% deles abrem o app todo dia ou quase todo dia. Alguns meses atrás, o WhatsApp começou a testar uma solução própria de pagamentos na Índia, seu maior mercado no mundo. O Brasil é o seu segundo maior mercado, mas ainda não há previsão de quando o serviço será testado por aqui.

Paralelamente, é importante lembrar que o Banco Central do Brasil mantém um grupo de trabalho para discutir as regras para o que chama de “pagamentos instantâneos”, serviço que consiste exatamente na possibilidade de transferir valores de uma conta para outra de forma ágil, sem a necessidade de digitar dados como agência, conta e CPF. Um possível serviço de “pagamento instantâneo” seria a possibilidade de transferir dinheiro entre contatos do WhatsApp, com poucos cliques.

Ou seja, diante do exemplo chinês, dos testes do WhatsApp na Índia, do grupo de trabalho do Banco Central e agora dos resultados desta pesquisa sobre a aderência do público brasileiro, parece que estão na mesa todos os ingredientes necessários para o surgimento a médio prazo de um serviço de pagamentos e/ou de transferência de valores dentro do WhatsApp no Brasil.

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